Pais Cuidadores… ou super protectores?
Os pais tentam fazer o melhor que sabem em prol do bem estar dos filhos.
Mas,… muitas vezes temos dificuldade em distinguir o que faz parte dos cuidados que devemos ter com eles e o que se torna super-protecção.
As crianças têm um caminho a percorrer na vida com aprendizagens diárias que se fazem de sucessos e desalentos, oportunidades e também desilusões.
Quando não deixamos que eles usem as suas competências adquiridas, coisas como comer sozinhos, vestir-se, arrumar o seu quarto, tomar banho, estamos a passar-lhes a mensagem de que não consegue, não é capaz e por isso o adulto tem que fazer aquilo por eles … Isto causa insegurança, baixa auto-estima e com o tempo vão-se convencendo de que a vida não está ao seu alcance… é demasiado difícil… tornam-se, então, naturalmente dependentes e inseguros!
Nas coisas mais simples ouvimos comentários do tipo: “Não corras… não saltes… vais cair!” Porque não?!? Se correres/ saltares com cuidado, consegues sem te magoares!
Conseguir “saltar” um pequeno obstáculo é o treino diário para conseguir ultrapassar, cada dia, obstáculos mais difíceis. Mas não é isso, conseguir ultrapassar obstáculos e atingir objectivos que nos deixa realizados, orgulhosos e felizes?!? Não é isso que os faz partilhar connosco a alegria quando dizem: Consegui!… Consegui!
Ultrapassar desafios é fundamental para se sentirem capazes. Sim, à sua custa, com as suas próprias capacidades, a sua destreza, o seu empenho em ir mais além!!
Se, enquanto pais, nos sentimos indecisos se estamos ou não a decidir da melhor forma se podem ou devem fazer determinada coisa ou lidar com determinada situação, podemos sempre lembrar-nos do que dizia um ilustre professor:
“Quando uma criança tem capacidade para fazer uma coisa, nunca mais devemos faze-la por ela!”
Eugénia Capela – Pediatra do CHSF




O meu filho, que tem 2 anos e meio, está na fase do “eu consigo”… e eu dou-lhe espaço para ele treinar e conseguir. No entanto, há manhãs em que esperar que ele consiga fazer, demora imenso tempo e isso obviamente limita o (já reduzido) tempo que temos para nos prepararmos de manhã.
E depois, ainda há quem diga que sou demasiado permissiva, porque o deixo (tentar) despir, porque o deixo (tentar) comer sozinho, porque o deixo (tentar) lavar os dentes…
Afinal… e depois de ler o seu artigo começo a pensar que em vez de permissiva sou uma mãe encorajadora! Até onde devo deixar ir o “eu consigo”?
Enquanto ele conseguir!
Eles não têm culpa se temos horários apertados e fazer tudo o que conseguir é… prioritário!